Pequena análise de dois livros e um Filme
Uma filosofia oriental a qual nos deparamos com o livro “zen e a arte do tiro com arco” onde o filosofo alemão Herrigel, nos fala da sua própria experiência num pais oriental onde tenta aprender o tiro com o arco.
Este comprova que o tiro com arco, no oriente, não passa de um exercício de consciência com o intuito e por em contacto com a realidade última. Sendo assim o praticar o tiro com arco e desprovido de a sua concretização (acertar no alvo) mas sim um domínio e um exercício da consciência, com o objectivo de a pôr em contacto com a realidade última. A total abstracção de intenção e pré-planeamento faz com que o tiro com arco seja concretizado sem o atirador o planear ou o executar. Um estado de consciencialização/in-consciencialização por parte do atirador faz com que este consiga atingir tudo que quer sem um mínimo de esforço, permanecendo em constante tranquilidade.
”Assim, não se pratica o tiro com arco no mero intuito de acertar no alvo, nem se maneja a espada com o fim de vencer o adversário; o bailarino não dança apenas para executar um movimento rítmico: acima de tudo pretende-se harmonizar o consciente com o inconsciente.»
O livro “o homem que dorme” fala nos de um homem que se desliga de tudo, se desprende do mundo e do tempo, tornando se livre mas que esta liberdade não representa felicidade. O que nos apercebemos e que esse homem é desprovido de qualquer sentimento, nem é alegre nem feliz, quase como um sonâmbulo, pairando pelas ruas sem qualquer destino ou razão.
Este sentimento de liberdade mental e física quase que se liga ao pensamento Zen, ambos promovem o esquecimento para chegar a uma inocência e uma execução sem qualquer influencia. Um estado mental em que se consegue fazer tudo não fazendo nada. Viver apenas por viver, comer quando se tem fome, beber quando se tem cede. Não se faz nada pensado, apenas porque assim tem de ser ou assim acontece.
O filme “A dupla vida de Véronique” fala de duas pessoas, Weronika que vive na Polónia e Véronique que vive em França. Apesar de não se conhecerem uma a outra tem uma relação quase que metafísica, estas sentem que não estão sozinhas no mundo.
Weronika aceita trabalhar numa escola de musica mas na sua primeira actuação morre, e Véronique na mesma altura desiste de cantar.
O filme tenta nos mostrar que no mundo temos sempre um nosso duplo, alguém que partilha os nossos pensamentos e os nossos sonhos.
Temos mais uma vez um ligação ao zen a teoria de que por vezes o inconsciente comanda a nossa vida. Véronique inconscientemente dá um rumo a sua vida pois Weronika morre, terminando assim a sua vida. Como se o inconsciente comanda se o consciente, e os nosso actos não serem planeados mas executados porque assim teria de ser, porque “alguém” o queria, e esse “alguém” és tu, mas inconscientemente.
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Pequena análise de vários excertos de textos.
“Origem e evolução das espécies de Melómanos” de Pierre Bourdieu, fala-nos da música e da sua ligação com o corpo, ou seja, a música é uma arte que nos desperta sensações corporais imediatas. Para este autor existe um gosto (associado a desgosto) que é orientado/influenciado, tal como o autor escreve, por uma sociedade e um hierarquia social. O ponto de referência, que o autor faz e a partir do qual vou estabelecer ligação com os outros textos, tem a ver com o facto da música poder ser feita com intenção, com um fim particular, e a musica industrialmente massificada (como indústria cultural).
Sendo a musica um expressão “pura” e própria, livre de qualquer mensagem verbal, o que não acontece no teatro, esta é arte contemporânea quando feita como expressão do autor e não para um consumidor /publico pré determinado, “pré-fabricado”.
“Tacto” por Sadie Plant, compara o uso dos computadores ao uso antigo dos teares Jacquard. Plant quer, com tal comparação demonstrar que existe uma ligação analógica (mãos, pensamento, ideia) com a parte tecnológica (computador, tear) que promove uma criação (neste caso, multimédia) única e própria.
“Recuperar as Ruas” de Naomi Klein, retrata um movimento, intitulado de RTS (Reclaim the Streets), que visa uma ocupação temporária dos espaços urbanos (o autor dá vários exemplos) que nos foram tirados pela “indústria” (publicidade, automóveis), com o objectivo de chamar a atenção, de forma artística) para a criação de “zonas livres” que sejam ocupadas pelas pessoas criando assim espaços para a expressão dos nosso sentimento e quereres.
“Os sem-abrigo da “Aldeia Global” de Vanda Shiva, tem como posição extremista a ideia de que a industrialização e a massificação destrói o sagrado que é o nosso espaço primitivo (“onde viveram os nossos antepassados, onde vivemos nós, onde viverão os nossos filhos”), manipulando-o ao ponto de não conseguirmos mais agir livres de influência “industrial”.
Estes quatro textos mostram um ponto de vista a partir do qual se pode criar uma obra ou um acto artístico – se este for feito livre das imposições da massificação, uma obra que só tem como intuito expressar o sentimento do autor e que essa expressão não seja para agradar às “massas” mas para satisfazer o autor.
Um ponto de vista para a arte contemporânea que visa o afastamento daquilo que é a satisfação que a sociedade quer, o consumismo, e valoriza o que o autor quer expressar.