Trabalho de analise de um livro  (parágrafo)

Titulo de obra: Arte, Comunicação e Semiótica
Autor: Pedro Barbosa
Edições: Universidade Fernando Pessoa
Ano: 2002
Isbn: 972-8184-93-X

O livro fala-nos da opinião do autor perante o teatro e o seu desenvolvimento no meio dos media, nomeadamente no cinema. Para o autor o teatro teria de ser uma “vivência estética”, um teatro vivêncial, que não implique o diálogo ou a participação do público, mas sim uma inclusão física e mental do espectador no mundo ficcional criado pelo teatro.
O autor refere o mito como um ponto de partida para o teatro, sendo um o teatro como um rito do mito, um vivência do mito. Onde se pode representar “amor e morte”, onde o teatro exorciza ao “mal” para prevalecer o “bem”, incutindo sensações psicológicas ao espectador, através de uma performance visual.
Pedro Barbosa, fala nos de Luigi Pirandello, escritor romancista e dramatrugo, com uma autor que no inicio da sua obra toma uma posição céptica sobre o cinema, onde a sua primeira obra “Si gira…” tem um postura critica á máquina cinematografica e ao avanço da tecnologia industrial. Apesar dessa sua posição inicial este muda de ponto de vista ao longo da sua vida, acabando por adaptar algumas das suas obras para cinema.
Para finalizar o capitulo Pedro Barbosa aborda o cinema de Manuel de Oliveira tendo como caso focado, a obra “O meu Caso”. Um filme de carácter experimental, e experimentado, demonstra se um filme meta-cinematográfico. Onde se interroga todo o fazer cinema.

Partindo tal e qual como o autor da pergunta, “qual o lugar do teatro na era da informática e do audiovisual?”, e da sua opinião e dissertação sobre a pergunta, pretendo desenvolver uma analise critica da sua obra, elaborando o meu parecer sobre o tema.
A história milenar do cinema não é significado da sua perenidade, tal como o autor refere e eu concordo, o teatro para continuar a ter algum impacto na sociedade terá de adaptar se a sociedade actual, tal como todas as formas audiovisuais existentes. Mas o teatro terá, em especial, de reformular o seu modo de execução para não imergir no meio das novas expressões estáticas, como a televisão e o cinema, como também na literatura que tem sofrido grandes alterações desde a forma dos tempos clássicos.
O Cinema estará sempre confinado a sua pura condição de espectáculo não podendo transmitir mais que uma vidência estética ao espectador. Mas pelo contrário o teatro tem um acréscimo ao cinema, devido ao contacto com o actor/espectador. Conseguindo assim uma participação física e emocional por parte deste. Tal não é conseguido por nenhuma outra forma de arte.
Como o autor assim descreve, o teatro terá de apostar mais numa vivência estética conseguindo assim uma melhor desmarcarão no interior do contexto audiovisual. Não implicando necessariamente um dialogo entre o actor e o espectador, mas sim uma tentativa de inclusão física e mental do espectador no mundo ficcional criado no teatro.
Os signos no teatro são objectos e pessoas reais, já que são de outras objectos e outras pessoas tendo uma densidade ôntica que nós, espectadores, que os percepcionamos. Tal não é conseguido com grande sucesso, apesar da essência destes signos seram as mesmas, no cinema , devido a este não estar no mesmo universo tridimensional, e apenas numa tela projectado. Com isto o Imaginário pode ser criado , vivenciado e experiênciado, sem que o espectador tenha de dizer ou fazer o que quer que seja.
Objectivo então será conseguir que o espectador faça de autor, elevando o discurso cénico a uma forma de percepção mental e corporal de tal ordem que ultrapasse o nível da simples vidência ( deixando isso para o cinema) para se elevar a uma intensiva perspectiva da vivência, uma vivência imaginária, pois que o teatro não é arte e não vida real.
Colocar reservas a um “teatro-vidência” quando feito para adultos, terá de se colocar com redobrada razão para um publico juvenil. Isto porque  será difícil receber um feed-back positivo por parte de um publico alvo adulto, visto que este é socialmente inibido, já não diríamos o mesmo para um publico alvo jovem que vive muito activamente a diversão da musica e da noite que o adulto. Dizendo portanto que será insultuoso pedir a um adulto uma interactividade ou participação na peça, tal será insultuoso e maçador, não o fazer, a um publico juvenil.
Tudo isto porque as gerações anteriores cresceram habituadas à fascinação do grande ecran e assistiram depois ao nascer do pequeno ecran. A gerações vindouras por ter nascido já com a televisão desde pequenos, esta tornou se um objecto banal e doméstico, apagando qualquer fascínio passado. Já não falando dos computadores que a camada jovem usa e abusa destes coisa que surgiu já em maturidade aos seus avós.
Sendo assim o teatro terá de acompanhar esta evolução, tentado criar uma interactividade que prenda o espectador jovem a “cadeira”.
Com tudo isto, “se os audiovisuais se instalaram na esfera do signo, o teatro instaura-se  (pode reinstaurar-se…) na esfera da vivência”.
Um ideia de restauracionismo tem de ser abolida do teatro, ou ficaremos sujeitos a que as salas estejam cheias de um publico bastante adulto, e os jovens se desinteressem do teatro perante o que o resto dos audiovisuais lhes fornecem.
O autor conta a historia de Eros e Tánatos , amor e morte, para demonstrar com este mito que o teatro tem com essência a vivência do mito , sendo portanto um rito, um “exorcitador” de forças interiores boas e más. Visa então uma vivência estética com o intuito de envolver o espectador, compreendendo-o na própria acção a encenar; onde um imaginário lança ancoras sobre o público tentando por parte deste um participação e um actuar por própria conta e risco. Este rito possibilita então um lugar onde todos consigam exorcitar os seus próprios medos de Tánatos que nos habitam.
Pedro Barbosa para ilustrar o avanço da escrita do teatro e a rendição por parte dos dramaturgos ao cinema, fala nos de Luigi Pirandello, um dos fundadores do teatro moderno.
Luigi Pirandello nos inícios da sua obra toma um posição céptica e reticente em relação ao cinema devido a sua raiz fundada em pleno século dezanove e marcada por um humanismo anti-tecnológico. Facto que é comprovado na sua primeira obra “Si Gira…” onde este reflecte a questões do cinema, executando assim uma parábula contra o mundo das máquinas e o advento da civilização industrial. Citando um excerto deste livro conprovatório de tal teoria:
“O protagonista Serafino Gubbio, operador de câmara, enarna não apenas o medo mítico da servidão humana sob o domínio da máquina, mas também o medo da despersonalização da arte pela imposição de uma irrevogável “poética da impassibilidade!”: <uma mão que dá à manivela…> – assim se autodefine o protagonista; <E para dizer a verdade, a primordial qualidade que se requer de quem exerça a minha profissão é a impassibilidadediante da acção que se desenrola perante a maquina>
(<Quaderni di Serafino Gubbio operatore> edição de 1954, Mondadori, p.11)
Nesta sua primeira obra reparamos na perplexidade de um escritor ainda preso aos velho princípios da arte como expressão individual e uma dificuldade a evolução dos tempos modernos. Tendo nesta obra um critica irónica a exaltação da maquina e a vida moderna dos futuristas da época.
Ao longo do seu percurso no teatro, Pirandello vai cedendo, começando a adaptar as suas obras teatrais para futuros filmes.
Com o aparecimento sonoro, Pirandello dá outro conceito ao cinema, chamando o de PURA MÙSICA + PURA VISÃO. Sendo que para ele o cinema sonoro não era a “palavra visível” mas a “música visível”, uma junção dos sentidos auditivos e visuais com o o sentimento que as imagens e os sons proporcionam, quase que como um ritmo musical.
Apesar de tudo Pirandello continua a suster a sua posição onde chega a dizer que  o cinema apesar de tudo tem defeitos nas virtudes do teatro. Defendia que a voz do cinema era a voz de um corpo inexistente, sem presença, visto que as imagens não falavam, e a voz provinha de um corpo físico, notando se assim um grande irrealismo. E por outro lado todo a paisagem e cenário que o filme tinha não passavam de imagens de lugares passadas num lugar só, sendo que no teatro a voz do actor e o cenário a sua volta está sempre presente fisicamente.
Logo Pirandello achava que o cinema era um representação do real e não o real, logo como tudo que se desenrola no teatro é fisicamente real, este considerava um defeito do cinema, afirmando então que tirava muita credibilidade no discurso visual e sentimental.
Apesar de perceber o lado de Luigi Pirandello, não concordo com a sua sustentação, visto que encaro o cinema como uma janela do exterior da sala ou os olhos de uma observador. Colocando nos assim numa história como voyeur da acção. Tendo então uma participação na cena, que apesar de ser criada por outrem, neste caso o realizador, nós encara-mo-la como uma visão nossa, quase como se nos seguraremos a câmara.
Tal como fala de Luigi Pirandello, o autor reporta nos agora para uma das suas palestras onde discute um filme de Manuel de Oliveira “ O meu caso” de 1986. Filme esse que tem um carácter experimental, e experimentado, é essencialmente um filme meta-cinematográfico. Tendo um a capacidade de interrogar todo o fazer cinema e reúne o diálogo possível entre as artes.
Perante todo este capitulo onde se fala de uma tentativa de salvamento do teatro em relação ao cinema eu concordo e discordo de algumas afirmações. Ao longo do texto a cima fui referente alguma opiniões sobre o tema,mas nunca de forma continua.
A meu ver, o teatro foi tendo algumas alterações, desde as peças na polis grega, em anfiteatros para um plateia, onde muitas vezes a encenação era muito rudimentar e o actor limitava se teatralizar uma mito ou historia mitológica. Para uma passagem de um teatro moderno, onde com a aplicação de todas essas histórias mitológicas clássicas numa junção as vivências e acontecimentos das gerações vindouras.
Sustento que hoje em dia o teatro é feito de uma forma muito mais direccionada do que a televisão e cinema. Trata de temas muitas vezes específicos para um grupo de pessoas, que é o caso de representações de obras curriculares (“Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente, “Lusidadas” de Luís de Camões, etc..), feitas especialmente para alunos. E outras obras mais abrangentes como os musicais, obras essas mais leves e que privam de uma historia forte, para uma encenação pomposa que prende o espectador aos seus “efeitos especiais” tal como nos filmes. Tudo este “feito a medida de” também se denota no cinema, apesar de este chegar com mais facilidade as pessoas devido a televisão, aos clubs de video e á tão aclamada e usada internet com os seus site piratas. Se reparar-mos para termos acesso a uma obra teatral temos de nos deslocar ao teatro e mesmo assim não a podemos ver quando nos apetece, mas sim esperar que chegue o dia de ser representada. Logo é evidente que muitas das vezes o teatro fique vazio por não prender as pessoas como o cinema prende.
Uma das soluções para um reanimação teatral era exactamente o que Pedro Barbosa dizia,  “Um Teatro Vivêncial”, onde através dos media na projecção de imagens e ambientes sonoros, se poderia fazer uma junção do cinema ao teatro. Onde se aproveitava as melhores qualidades de cada um. Do teatro aproveitava se o facto dos actores estarem perante nós fisicamente e a encenação ser muito mais natural e espontânea que no cinema, que muitas vezes se torna plástica devido a extrema perfeição que é exigida e conseguida através da montagem. E o cinema, mais propriamente da imagem em movimento, o facto de podermos transportar imagens de um sitio para onde quisermos, e assim projectar cenários fictícios que em conjugação com alguns objectos reais se pudesse eludir a realidade. Criando assim ao espectador um reportação da cadeira para outro lugar.
Contudo considero que com tantas mudanças se vão perdendo essências do teatro e começávamos a ter dificuldade a definir o espectáculo que se desenrolava, se era cinema ou se era teatro. Proponho que lhe chamaemos de espectáculo Audiovisual!

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